QMaps Itaim

QMaps na EMEF Padre Chico Falconi

No ano de 2017 nossas ideias começaram a circular na EMEF Padre Chico Falconi, no Itaim Paulista, extremo leste da cidade de São Paulo.  No Chico foi possível amadurecer algumas propostas e o projeto além de rolar como uma formação em contra-turno, passou a circular também nas aulas de Geografia, nos corredores da escola e em campos pelo bairro.

2019
Dia de trabalho em 2019 equipe QMaps e parcerias da USP (Kayke, Wellington, João, Giovanna, Iuri, Julia, Raffael, Ana, Jennifer, Marquezin, Grazy, Arizla, Emilly e Bryan)

No primeiro ano o principal trabalho foi compreender a Geografia daquela juventude e daquele território que começávamos a conhecer. No primeiro momento esta ação ocupou uma reposição de horas de trabalho da greve de 2017, desta maneira, reunimos um primeiro grupo de estudantes que passavam algumas tardes discutindo o território e elaborando os primeiros mapas participativos do seu território.

Um primeiro resultado em mapa daqueles dias foi o “Quebrada Ensina”, apresentando lugares do território que poderiam receber uma aula. Trabalho que permitiu pensar e embalar as atividades nos anos que seguiram. Este mapa não é público, mas pode ser solicitado por educadores do Itaim Paulista dando um salve aqui no  formulário de contato.

Assim, as ideias do QMaps  também ocuparam as aulas de Geografia. Como o mapa coletivo dos 7ºs anos elaborado para entender a geografia migrante do Itaim Paulista em 2017. Além disso, houve a consolidação das aulas fora da sala de aula e junto com os professores de Geografia, Camila Ribeiro e Adriano José,  foi possível construir trabalhos de campo para o conjunto das turmas.

O principal resultado deste primeiro ano apresenta um mapeamento da territorialidade daquela juventude e foi nomeado “Quebrada Chico Maps”. Mapa que nos anos seguinte passou por atualizações, está disponível online na janela abaixo. Porém, o primeiro ano ainda guardou uma surpresa, nossa parceira Sheyla Mello, realizou uma entrevista para o blog Agência Mural da Folha de São Paulo. A repercussão da reportagem foi incrível,  além de valorizar o projeto, trouxe grande contribuição para a autoestima dos jovens que somavam direta e indiretamente no projeto, como também da valorização da escola pública periférica.

Quebrada Chico Maps:

Chegamos ao segundo ano, neste momento um projeto que movimentou a galera buscava pensar os impactos ambientais no bairro. O trabalho de pesquisa corria junto com as aulas de Geografia dos 8ºs anos, com grandes contribuições da disciplina de Ciências com o professor Ricardo Silva. Desta maneira, os jovens que integravam a equipe do QMaps (na liderança das alunas Pamela, Emilly e Yasmin) facilitavam que os alunos dos 8ºs anos mapeassem de maneira participativa os impactos ambientais no bairro. Pesquisa que foi apresentada pela turma de alunos na Semana de Geografia da USP em 2018. Além disso, a passagem de outros integrantes (Evelyn, Weverthon Gustavo, Denilson, Jonathan, Luiz Felipe e Gabriel) permitiu que o “Quebrada Chico Maps” ganhasse novas informações.

Impactos Ambientais:

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No ano de 2019, o ciclo dentro da EMEF Padre Chico Falconi terminou, porém foi marcado por uma grande multiplicidade de atividades. Este foi o último ano tanto do professor Wellington na escola, como dos estudantes Gabrielle Santana, Jennifer Paiva, Júlia Isabel e Raffael Santos, ativos desde 2017 no projeto e que chegavam ao 9ºano. Esta galera, com o reforço de outros alunos e educadores, passou o ano construindo mapas, fazendo campos e pesquisas, mas também compartilhando a construção do projeto em espaços diversos.

Uma parceria marcante para este período foi com os estudantes de Geografia da FFLCH-USP. Através dos vínculos ao  PIBID (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência), a monitoria da Semana de Geografia  e por estudantes que realizam monografia. Esta parceria se faz presente nos trabalhos e resultados deste ano.

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Projetos que aconteceram em ações focados nos alunos do projeto, como também em atividades em parcerias com as outras turmas e projetos na escola.

O Mapa de Acolhimento foi resultado de uma pesquisa por espaços de acolhida a populações vulneráveis. O primeiro passo foi um levantamento, porém tais resultados foram além dos mapas e ocuparam muros e paredes do bairro. Já o Mapa Lugares de Brincar, foi um trabalho da equipe mais jovem do QMaps na parceria com a estudante Arizla do Pibid. A leveza e sagacidade dos mais novos trouxe um debate muito rico e bonito. Discutindo sobre direito a cidade e espaços de lazer na quebrada; Iuri, Emilly, Bryan, Rayka e Giovanna mapearam espaços do brincar conquistados pelas crianças, ou também, negligenciados pelo Estado.

Em parceria com os estudantes da EMEF ocorreram outros dois projetos. Com os 8s construímos o mapa dos Sankofas: trabalho que buscou revelar a grande quantidade de portões no bairro que guardam uma referência histórica. O Sankofa é um Adynkra, ideograma africano que era reproduzido em portões por negros  ferreiros escravizados na Brasil colônia. O ato de resistência se tornou cotidiano e virou uma marca corriqueira a portões até os dias de hoje. Através do sankofa, o ferreiro escravizado buscava dizer a outros negros escravizados: nunca esqueça seu passado.

Ao pensar as parcerias, o QMaps tinha uma convívio diário e intenso com outro grupo na escola, o Papo Reto. Muitas alunos compartilhavam energias nos dois projetos e por vezes os grupos participaram de ações em conjunto. Talvez um dos dias mais marcantes foi a participação dos dois grupos em um evento sobre emergência periférica na ALESP (Assembleia Legislativa de São Paulo).

O Papo Reto que foi resultado de uma cabulação, de alunos, que ao invés de uma determinada aula, preferiam falar de Política. Articulado com os educadores Adriano José, Camila Ribeiro, Carolina Murad e Wellington Fernandes, mas sobretudo, por estudantes, surgiu um grupo que buscou promover debates e ações diretas na escola. Estas construídas sempre a partir das demandas e necessidades da juventude que formava este coletivo. Esta proposta foi sistematizada em um artigo e está disponível nos anais do IX Fala Professor que ocorreu em Belo Horizonte.

Outro grande projeto em 2019 foi realizado em parceria com os 9ºs anos e apresentado na USP na Semana de Geografia. Buscando fazer uma cartografia da Globalização, foram realizados campos e pesquisas para apontar a relação do território com o fenômeno da Globalização. Este trabalho teve como referência os estudos de Milton Santos, assim, buscou representar as manifestações cotidianas e perversas da globalização, para isso, o primeiro passo foi mapear o fluxo de mercadorias e capitais entre o bairro e mundo.  Ainda ouvindo Milton Santos, também foi proposto um levantamento de ações de resistência cotidiano no mapeamento da Revanche da Quebrada.

Terminar esta trajetória com este conceito de Milton Santos foi muito valioso, pois consolidava a trajetória ali proposta em poucas palavras, como também, tornou nítido que tal caminho teve propósito. Valorizar, fortalecer e instrumentalizar a juventude periférica e a escola pública.

A partir deste último ciclo, nossa trajetória no Itaim tem buscado construir outras estratégias e apesar da pandemia em 2020 estamos tecendo diálogos para além da escola.

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